Onde começa o pesadelo dos aditivos
Há quem ainda confunda eficiência financeira com redução de gastos.
Na busca por bater metas trimestrais, a armadilha da licitação pelo “menor preço” torna-se tentadora. No entanto, o que parece uma vitória na planilha de compras frequentemente se transforma em um pesadelo de aditivos contratuais, atrasos e retrabalho.
A ilusão do corte de custos
O corte de custos tradicional é reativo e linear. Ele remove recursos sem considerar a função. Ao selecionar um fornecedor puramente pelo preço baixo, uma empresa não está necessariamente comprando o mesmo serviço por menos, está, muitas vezes, comprando um escopo incompleto.
Fornecedores que operam na margem mínima negligenciam a análise de riscos. O resultado? Assim que o projeto começa, surgem os “imprevistos” que geram aditivos. O custo final acaba sendo superior ao da melhor proposta técnica original, mas com o agravante de uma entrega de baixa qualidade.
A Engenharia de Valor como blindagem
Diferente do corte de custos, a Engenharia de Valor (EV) foca na relação entre função e custo. Ela analisa cada componente de um projeto para garantir que a performance seja mantida ou aumentada, enquanto os custos desnecessários são eliminados na fase de design — e não durante a execução.
- Corte de custos: Como posso pagar menos por este cabo? (Risco: falha técnica).
- Engenharia de Valor: Qual a função deste cabo? Existe uma solução de sistema que elimine a necessidade dele sem perder segurança? (Resultado: otimização real).
Os riscos da subestimação
Dados recentes reforçam que a negligência na fase de planejamento e a escolha de parceiros despreparados são as principais causas de prejuízos em larga escala.
De acordo com o Project Management Institute (PMI), aproximadamente 1 em cada 3 projetos ainda falha em atingir seus objetivos originais ou recuperar o valor de negócio devido a falhas de desempenho e escopo mal definido.
Além disso, análises sobre infraestrutura e projetos complexos indicam que o “otimismo de custos” em licitações agressivas resulta em estouros de orçamento superiores a 40% em relação ao contrato inicial em mercados emergentes.
Por que os aditivos são inevitáveis no menor preço?
- Falta de contingência: o preço baixo não permite margem para erros. Qualquer variação de mercado vira um pedido de reequilíbrio financeiro.
- Subespecificação: para ganhar o certame, o fornecedor ignora detalhes técnicos que “aparecerão” depois.
- Baixa qualidade de gestão: fornecedores baratos investem menos em talentos, o que gera falhas de comunicação e erros de execução que interrompem o seu negócio.
O valor real
Se uma empresa busca sustentabilidade a longo prazo, a métrica de sucesso não pode ser o desconto no contrato. O foco deve ser o Custo Total de Propriedade (TCO).
Ao aplicar a Engenharia de Valor, você não está apenas comprando um serviço, está garantindo que o escopo seja respeitado e que o lucro não escoe pelo ralo dos aditivos intermináveis.