O imperativo da sustentabilidade operacional
A logística é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).
Com o endurecimento das metas do acordo de Paris e a implementação de taxas de carbono em mercados internacionais, a eficiência logística passou a ser medida não apenas pelo tempo de entrega, mas pela pegada ambiental por tonelada transportada.
O desafio é complexo: o setor de transportes responde por aproximadamente 20% das emissões globais de CO², sendo o transporte rodoviário de carga um dos principais contribuintes. Para organizações que operam em larga escala, a descarbonização da “última milha” (last mile) e das transferências de longa distância exige uma revisão completa do modelo de negócios.
Estratégias fundamentais para a descarbonização
Para alcançar uma distribuição de baixo impacto, as lideranças do setor estão focando em três pilares estratégicos:
1. Transição energética e matriz de combustíveis
A substituição de fontes fósseis é a via mais direta, embora exija investimento em infraestrutura:
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- eletrificação: solução prioritária para entregas urbanas e curtas distâncias;
- hidrogênio verde e biocombustíveis: alternativas para o transporte pesado e de longa distância, onde a densidade energética das baterias ainda é um limitador;
- combustível sustentável de aviação (SAF): recurso essencial para reduzir o impacto do frete aéreo internacional.
2. Otimização digital e inteligência de dados
A tecnologia atua como catalisador da eficiência. O uso de algoritmos avançados para o planejamento de rotas reduz a quilometragem ociosa:
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- torres de controle logístico: sistemas de monitoramento em tempo real que evitam gargalos e reduzem o tempo de espera com motores ligados;
- integração de modais: a migração do transporte rodoviário para o ferroviário ou cabotagem pode reduzir as emissões em até 60% em trajetos de longa distância.
3. Logística reversa e economia circular
Reduzir o impacto significa gerenciar o ciclo de vida completo dos produtos. A otimização da logística reversa evita deslocamentos desnecessários e reintegra materiais à cadeia produtiva, diminuindo a demanda por matéria-prima virgem e a energia gasta em novos transportes.
Desafios do setor
Apesar do movimento em direção à sustentabilidade, barreiras financeiras e de infraestrutura permanecem.
De acordo com o relatório Net Zero Roadmap da IEA (International Energy Agency), a infraestrutura de carregamento para frotas comerciais precisa crescer exponencialmente até 2030 para suportar as metas globais.
No Brasil, o cenário apresenta particularidades. Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), o setor rodoviário é predominante e a idade média da frota impacta diretamente na eficiência energética. Modernizar esses ativos é uma prioridade para companhias que buscam conformidade com os padrões de ESG (Environmental, Social, and Governance).
A descarbonização é uma oportunidade de redesenhar cadeias de suprimentos mais resilientes e menos dependentes de combustíveis voláteis.